ARTIGOS

Ao longo dos anos contribuí para com revistas independentes, projetos culturais e mídia alternativa. Nesta seção disponho algumas destas contribuições, dentre estudos, traduções e divulgações.

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EM BUSCA DE SENTIDO PARA O ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO (PRIMEIRA PARTE)

04 de Setembro de 2019

Recuperar o irromper de algo, reavendo as forças, as condições e os meios desse começo, é o caminho que se abre na iminência da ruína, do aniquilamento, do esvaziamento. Do fim, propriamente. E é desse presságio que aquela recuperação toma fôlego. Os olhos e mãos que tomam do pincel ou do telescópio para produzir não são os mesmos que recuperam o vigor de uma origem e o atualizam para perto de nós. Com o propósito de validar o significado do ensino superior brasileiro no pressentimento da sua desintegração e falta de sentido, isto é, do seu destino de dissolução, este ensaio se aventura em circuitos históricos que podem, talvez, tornar a iluminar a essência da educação superior no traço que melhor a determina enquanto tal – sua liberdade. E uma vez aclarada esta essência, cabe a missão comum de estudantes e mestres de, a partir do pensamento de Martin Heidegger, decidir por sua guarda e encaminhamento na luta pela propriedade de si, ou por sua recusa e esquecimento na decadência pelo estranhamento de si.

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EM BUSCA DE SENTIDO PARA O ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO (SEGUNDA PARTE)

04 de Setembro de 2019

Finalmente, eclodimos no termo do enraizamento no povo como uma retomada autêntica do sentido do educar, não como tenderíamos a dizer: para aquele que pergunta pelo sentido do educar, mas para aquele único ente, o ser-aí humano, ao qual o educar aparece como uma questão proveniente de um certo entendimento prévio a respeito do sentido do ser. Se educar, partindo da hermenêutica do ser-aí, tem algo com cultivo e questionamento incessante, o ser-aí estudante não pode ser restringido à cega adesão de alguma interpretação cosmológica absolutamente alheia aos seus projetos existenciais, mas liberado para questionar o seu convívio, seu real legado, iluminar sua origem, e assim remover os obstáculos sedimentados para, por fim, assenhorando-se do seu destinar desconhecido, declamar erigido ao alto: “Puro saí das águas consagradas/Pronto a me alar às lúcidas estrelas [1] ”. E que estas estrelas estejam fixadas sob o mesmo céu em que repousa, desperta, ama e trabalha.

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O ESTUDO POLÍTICO A PARTIR DE CHRONO TRIGGER EM "A CIVILIZAÇÃO ETERNA": UMA ENTREVISTA COM O AUTOR J. O. BILDA

18 de Maio de 2020

Jonas Otávio Bilda é formado em Psicologia e Filosofia e se denomina livre-pensador em sua homepage profissional. É autodidata em História, Religião, Arte, Educação, Literatura e Política, e trabalha como tradutor, revisor e consultor literário, além de se dedicar à produção autoral, também como ghost writer. Oriundo de família báltica e natural de São Paulo, reside em Santa Catarina há 17 anos. É autor da pesquisa acadêmica sobre Psicologia Clínica que tornou-se livro O Alvorecer das Artes do Ser (Luminária, 2016). Também publicou ensaios filosóficos sobre Literatura, Educação Clássica e Crítica Moral com o livro epistolar Cartas de um Solícito Acompanhante (Multifoco, 2018); e é o primeiro tradutor e organizador em livro na América Latina do documento russo-ucraniano Livro de Veles um texto histórico sobre religião eslava pré-cristã, no prelo pela Editora Multifoco.

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HOMERO, EDUCADOR DE HOMENS E MULHERES

01 de Setembro de 2021

Como que à sombra de uma tília e um carvalho amorosamente envolvidos, me protejo sob os excelentes estudos do literato David de Souza que abordou histórica e sociologicamente as origens da moral grega a partir de um referencial filosófico helenista bastante sólido dentre antigos e contemporâneos; e do historiador A. Pinto de Carvalho que promoveu uma esclarecedora comparação entre Homero e Hesíodo no tocante a noção de excelência moral com base nos próprios poemas. São aqui estes dois encorpados artigos de pesquisa bibliográfica nada mais que aênea couraça para outra de minhas temerosas audácias imaginativas, posto que minha coragem e vontade são guiadas pelos próprios versos homéricos confiados pelo legado de Manuel Odorico Mendes. Vem, ó preclaro meu; tomo-te a frente qual jônia maga na heroica guia do dárdano primor pelos umbrais tenebrosos!

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A DOENÇA MORTAL DA PSICOLOGIA: UMA ANÁLISE A PARTIR DE FOUCAULT E KIERKEGAARD

16 de Julho de 2021

Desde metade do século XX, a Psicologia no Brasil é considerada uma profissão e teve este reconhecimento pela lei nº 4.119 de 27 de agosto de 1962, e formou seu conselho profissional em 1971, o Conselho Federal de Psicologia, regulamentado pelo Decreto 79.822, com o objetivo de regulamentar, orientar e fiscalizar o exercício profissional, promovendo inclusive espaços de discussão sobre os temas de preocupação da área de atuação e sua relação com a realidade social. E isto foi possível apesar da diversidade de abordagens existentes no seu âmbito epistemológico e metodológico. Entretanto, fundamentalmente, estas abordagens aparentemente distintas não se desfizeram dos pressupostos racionalistas, positivistas e empiristas. Esta multiplicidade de psicologias [3] pretende descrever o homem e se construir a partir de estruturas biológicas. Reduz o objeto de investigação ao corpo ou a deduções de funções orgânicas. A própria pesquisa em psicologia não é mais que um ramo da fisiologia. O brado da caduquice positivista no trabalho real da Psicologia é lançado pelo crítico Michel Foucault (1926-1984).

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"HISTÓRIA", UM ENSAIO POR R. W. EMERSON - TRADUÇÃO DE J. O. BILDA

27 de Dezembro de 2020

“História” é o primeiro ensaio de Ralph W. Emerson, um dos maiores filósofos e oradores, e, sem dúvida, o maior escritor em prosa norte-americano, publicado em 1841 em sua coletânea expositiva acerca da doutrina do Transcendentalismo, bastante próxima do Romantismo, Essays: First Series, “Ensaios, primeira série”. Neste ensaio a História é interpretada como uma unidade entre o homem individual e o espírito universal ambos expressões de uma só mente, vontade e significado. Ao estudante de filosofia mais perspicaz, ficará claro que Emerson se aproxima aqui, não obstante sua posterior fama de “campeão individualista”, à concepção hegeliana da Filosofia da História, ainda que preservando os poderes do ente particular. De todos os ensaios emersonianos, este talvez seja um dos menos conhecidos.